A INVASÃO ISLÂMICA
Por Robert Morey
Eu, eu sou o
SENHOR, e fora de mim não há Salvador. – Isaías 43:11
Parte Três – O deus
do Islão
Capítulo 5, Alá e o
DEUS da Bíblia
O Islão afirma que Alá é o mesmo Deus
revelado na Bíblia. Isso implica logicamente, em um sentido positivo, que o
conceito de Deus apresentado no Alcorão corresponde em todos os pontos ao
conceito de Deus encontrado na Bíblia.
Isso também implica, em um sentido
negativo, que se a Bíblia e o Alcorão tiverem visões diferentes de Deus, então
a afirmação do Islão é falsa.
Os Atributos de Deus
O orientalista Samuel Zwemer observou em 1905:
“Tem havido uma estranha negligência
por parte da maioria dos escritores que descreveram a religião de Maomé em
estudar a ideia do deus de Maomé. É tão fácil ser enganado por um nome ou por
etimologias. Quase todos os escritores presumem que o deus do Alcorão é o mesmo
ser e tem atributos semelhantes aos de Jeová ou à Divindade do Novo Testamento.
Esta afirmação está correta?” [1]
A maioria das pessoas simplesmente presume
que o Deus da Bíblia e o deus do Alcorão são o mesmo Deus, apenas com nomes
diferentes. Mas, como Zwemer questionou, isso está correto?
Quando comparamos os atributos de Deus
encontrados na Bíblia com os atributos de Alá encontrados no Alcorão, fica mais
evidente que esses dois não são o mesmo Deus.
Como registro histórico, estudiosos
cristãos e muçulmanos têm debatido sobre quem possui a verdadeira visão de Deus
desde o surgimento do Islão como religião.
A visão bíblica de Deus não pode ser
reduzida à de Alá, assim como Alá não pode ser reduzido ao Deus da Bíblia.
O contexto histórico relativo à origem e ao
significado do “Alá” árabe revela que Alá não pode ser o Deus dos patriarcas
bíblicos, dos judeus ou dos cristãos. Alá é meramente uma versão reformulada e
ampliada da divindade lunar pagã Árabe.
Como o Dr. Samuel Schlorrf destaca em seu
artigo sobre a diferença essencial entre o Alá do Alcorão e o Deus da Bíblia:
“Acredito que a questão fundamental reside
na natureza de Deus e em como Ele se relaciona com Suas criaturas; o Islão e o
Cristianismo, apesar das semelhanças formais, estão em completo descompasso
nesse aspecto.”[2]
Vejamos algumas das diferenças históricas
que têm sido apontadas repetidamente entre o Deus da Bíblia e o Alá do Alcorão.
Esses pontos de conflito têm sido observados em obras acadêmicas há mais de mil
anos.[3]
Esses pontos de conflito são reconhecidos
por todas as obras de referência sobre o assunto. Portanto, faremos apenas um
breve panorama das questões envolvidas.
Cognoscível*(1) versus o Incognoscível **(2)
*(1) Isto é, acessível, alcançável, atingível, claro, compreensível, conhecível, entendível, inteligível, perceptível, reconhecível.
**(2) Isto é, inacessível, incompreensível, ininteligível, inatingível, impenetrável, indecifrável, complexo, complicado, difícil, confuso.
Segundo
a Bíblia, Deus é cognoscível. Jesus Cristo veio a este mundo para que
pudéssemos conhecer a Deus (João 17:3).
Mas
no Islão, Alá é incognoscível. Ele é tão transcendente, tão exaltado, que nenhum
homem jamais poderá conhecê-lo pessoalmente.
Enquanto, segundo a Bíblia, o homem pode
ter um relacionamento pessoal com Deus, o Alá do Alcorão é tão distante, tão
abstrato, tão abstrato que ninguém pode conhecê-lo.
Pessoal
versus Impessoal
O Deus da Bíblia é descrito como um Ser
pessoal com intelecto, emoção e vontade.
Isso contrasta com Alá, que não deve ser
compreendido como uma pessoa. Isso o rebaixaria ao nível do homem.
Espiritual
versus Não Espiritual
Para o muçulmano, a ideia de que Alá seja
uma pessoa ou um espírito é blasfêmia, pois depreciaria o ‘Exaltado’.
Mas o conceito de que “Deus é espírito” é
um dos pilares da Bíblia, que descreve a natureza de Deus conforme ensinado
pelo próprio Senhor Jesus Cristo em João 4:24.
Trindade versus Unitarismo
O Deus da Bíblia é o único Deus em três
pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essa Trindade não são três deuses,
mas um só Deus.
Quando nos voltamos para o Alcorão,
descobrimos que ele nega explicitamente a Trindade. O Alcorão afirma que Deus
não é o Pai e Jesus não é o Filho de Deus. Nem o Espírito Santo é Deus.
Limitado versus Ilimitado
O Deus bíblico é limitado por sua própria
natureza imutável e inalterável. Deus não pode fazer algo mal, injusto ou
perverso. Em Tito 1:2, somos informados de que “Deus não pode mentir”.
Ainda somos informados disso em Hebreus 6:18. Deus jamais agiria de forma que
contradissesse sua natureza divina (2 Timóteo 2:13).
Mas quando nos voltamos para o Alcorão,
descobrimos que Alá não é limitado por nada. Ele não é limitado nem mesmo por
sua própria natureza. Alá pode fazer qualquer coisa má, injusta e perversa,
a qualquer hora, em qualquer lugar, sem limitações.
Confiável versus Caprichoso
Como o Deus da Bíblia é limitado por Sua
própria natureza justa, santa e boa e há certas coisas (más, perversas,
injustas) que Ele não pode fazer, Ele é completamente consistente e
confiável.
Mas quando nos voltamos para estudar as
ações de Alá no Alcorão, descobrimos que ele é totalmente caprichoso e indigno
de confiança (mal, injusto, vingativo, perverso). Ele não está
vinculado à natureza de sua palavra.
Amor a Deus versus
Ausência de Amor de Deus
O amor a Deus é o principal atributo
da Bíblia, como revelado em passagens como João 3:16. Deus tem
sentimentos por suas criaturas, especialmente pelo homem.
Mas quando nos voltamos para o Alcorão, não encontramos o amor apresentado como o principal atributo de Alá. Em vez disso, a transcendência de Alá é o seu principal atributo.
Alá também “não possui sentimentos”
pelo homem. Esse conceito (o de possuir amor pela humanidade) é estranho ao ensinamento islâmico. Isso reduziria
Alá a um mero homem – o que, novamente, é uma blasfêmia para um muçulmano.
Atuante na História
versus Passividade na História
Alá não participa pessoalmente da
história humana, agindo como um agente histórico. Ele sempre lida com o mundo
por meio apenas de sua palavra, profetas e anjos. Ele não desce pessoalmente ao mundo para
lidar de forma pessoal com o homem.
Quão diferente é a ideia bíblica da
encarnação, na qual o próprio Deus entra na história e age para trazer a
salvação ao homem.
Atributos versus
Ausência de Atributos
O Alcorão nunca nos diz, de forma
positiva, como Deus é em termos de sua natureza ou essência. E os supostos 99
atributos de Alá são todos negativos, representando o que Alá não é, mas nunca
nos revelando o que Ele é.
A Bíblia nos apresenta DEUS tanto
atributos positivos quanto negativos (não no sentido ruim e pecaminoso, mas
daquilo que Ele não pode fazer, sendo Santo).
Graça versus Obras
Por fim, a Bíblia fala muito da graça
de Deus ao prover salvação gratuita para os homens por meio do Salvador que age
como mediador entre Deus e o homem (1 Timóteo 2:5).
Contudo, no Alcorão não há menção à
graça de Deus. Não há salvador nem intercessor, segundo o Alcorão.
Em conclusão, ao examinarmos os
atributos do Deus que se revelou na Bíblia e os do deus descrito no Alcorão,
percebemos que não se trata do mesmo Deus.
O Mesmo Deus?
Após apresentar este material a um
grupo de pessoas, uma delas respondeu que acreditava que o Islão e o
Cristianismo adoravam o mesmo Deus porque ambos adoravam “apenas um Deus”.
O que ela não compreendeu é que o
monoteísmo, por si só, não nos diz nada sobre a identidade do único Deus que
deve ser adorado. Em outras palavras, seria suficiente afirmar que existe
apenas um Deus se você está adorando o deus errado?
Alguém poderia dizer que Rá, Ísis ou
Osíris é o único Deus verdadeiro, mas isso não significa que as divindades
cristãs e egípcias sejam as mesmas.
Os antigos poderiam ter ensinado que
Baal ou Moloque era o único Deus verdadeiro. Ou ainda, os gregos poderiam ter
argumentado que Zeus ou Júpiter era o único Deus vivo verdadeiro.
Mas simplesmente argumentar que existe
um Deus não significa automaticamente que o Deus que você escolhe adorar seja o
correto.
Neste caso, o Deus da Bíblia se
revelou de tal forma que sua natureza e seus nomes não podem ser confundidos
com a natureza e os nomes das divindades pagãs circundantes.
O culto ao deus da lua, que adorava
Alá, foi transformado por Maomé em uma fé monoteísta.
Como Maomé começou com um deus pagão,
não é surpresa que tenha terminado com um deus pagão.
Como aponta o estudioso alemão
Johannes Hauri:
“O monoteísmo de Maomé representou um
afastamento do verdadeiro monoteísmo tanto quanto das ideias politeístas… A
ideia de Deus de Maomé é totalmente deísta.”[iv]
Alá está na Bíblia?
Em uma conversa com um embaixador de
um país muçulmano, apontei que o nome Alá vem de uma palavra árabe relacionada
à adoração do deus da lua e ao louvor na Arábia pré-Islâmica. Como tal, não
poderia ser encontrado no Antigo Testamento hebraico nem no Novo Testamento
grego.
O embaixador usou dois argumentos com
os quais esperava provar que a Bíblia mencionava Alá.
Primeiro, ele afirmou que o nome Alá
estava presente na palavra bíblica “aleluia”. O “halle” é a primeira parte da
palavra, que, segundo ele, seria Alá.
Apontei para ele que a palavra
hebraica “aleluia” não é composta. Ou seja, não é formada por duas palavras. É
uma única palavra hebraica que significa “louvor a Javé”.[v]
Além disso, o nome de Deus está na
última parte da palavra, 'Jah', que se refere a Javé ou Jeová. O nome Alá
simplesmente não pode ser encontrado nessa palavra.
Ele então prosseguiu dizendo que,
quando Jesus estava na cruz e clamou "Eli, Eli”, na verdade estava
dizendo “Alá, Alá”.
Mas isso também não é verdade. O Novo
Testamento grego, neste ponto, nos apresenta a tradução aramaica, não a árabe,
de uma parte do Salmo 22:1. Jesus estava dizendo “Deus meu, Deus meu, por que me
desamparaste?”.
É muito difícil chegar de “Eli, Eli” a
“Alá, Alá”. Isto simplesmente não pode ser possível.
Período Histórico Incorreto
De acordo com os registros históricos, era impossível
para os autores da Bíblia se referirem a Alá como Deus. Por quê?
Até o século VII d.C., quando Maomé estabeleceu
Alá como o “único” Deus, Alá era o nome de uma divindade pagã!
Como a Bíblia já estava completa muito antes do
nascimento de Maomé, como ela poderia falar de um Alá pós-Maomé?
Na realidade, o nome Alá nunca foi mencionado pelos
autores das Escrituras.
Até a época de Maomé, Alá era simplesmente um deus
pagão entre muitos, sendo seu nome um nome específico para o deus da lua, como
era adorado na Arábia.
Os autores bíblicos jamais teriam
confundido Alá com Jeová, assim como jamais teriam confundido Baal com Jeová.
A Bíblia Árabe
Durante um programa de rádio em
Irvine, Califórnia, um ouvinte árabe respondeu a essas observações perguntando:
“Mas a Bíblia Árabe não usa o nome ‘Alá’ para Deus? Então Alá é um nome bíblico
para Deus.”
A resposta: depende do período
histórico. A Bíblia foi traduzida para o árabe na época de Maomé? Não! A
primeira tradução árabe da Bíblia só surgiu por volta do século IX d.C.
No século IX d.C., o Islão era a
força política dominante nas terras árabes, e os homens que traduziram a Bíblia
para o árabe enfrentaram uma situação política difícil. Se não usassem “Alá”
como nome de Deus, poderiam sofrer nas mãos de muçulmanos fanáticos que, como
parte de sua religião, acreditavam que o Alá do Alcorão era o Deus da Bíblia.
Como “Alá” era, nessa época, o nome
comum para Deus, devido à dominância do Islão, os tradutores cederam às pressões
políticas e religiosas e incluíram “Alá” na Bíblia Árabe.
Sem Fundamento
Lógico
Como a tradução árabe da Bíblia
ocorreu 900 anos após a sua conclusão, ela não pode influenciar a questão de se
“Alá” era originalmente um nome para Deus na Bíblia.
Em suma, o fato bastante óbvio é que a
tradução árabe da Bíblia do século IX não pode ser usada para sustentar o
argumento de que os autores bíblicos, que escreveram muitos séculos antes em Hebraico,
Aramaico e Grego, usaram a palavra árabe “Alá” para Deus. A credulidade tem
seus limites.
Conclusão
Muitos ocidentais presumem que Alá é
apenas outro nome para Deus. Isso se deve à sua ignorância da diferença entre o
Alá do Alcorão e o Deus da Bíblia, e também à propaganda de evangelistas
muçulmanos que usaram a ideia de que Alá é apenas outro nome para Deus como uma
oportunidade para converter ocidentais ao islamismo.
A Bíblia e o Alcorão são dois
documentos concorrentes que diferem em seu conceito de divindade. Esse fato não
pode ser ignorado apenas por não estar em conformidade com a popularidade atual
ou com o relativismo religioso.
Fonte: Morey, R. The Islamic Invasion –
Confronting the World’s Fastest Growing Religion (A Invasão Islâmica –
Confrontando a Religião de Mais Rápido Crescimento do Mundo), Harvest House
Publishers. 1992.
Revisão 00, ênfases acrescentadas. TODAS as citações Bíblicas são das seguintes
versões: Almeida Corrigida e Fiel ao Texto Original da SBTB (a única que
atualmente recomendamos na Língua Portuguesa) e King James Bible 1611 original
em inglês (a única que recomendamos em Língua Inglesa). Todas as ênfases
acrescentadas pelo autor, serão mantidas na tradução.
[1] Samuel Zwemer. The Muslim Doctrines of God: An
Essay of the Character of Alá According to the Kuran - As Doutrinas
Muçulmanas de Deus: Um Ensaio sobre o Caráter de Alá Segundo o Alcorão (New
York, American Tract Society, 1905).
[2] Samuel Schlorff, “Theologican and Apologetical Dimensions of Muslim
Evangelism” - Dimensões Teológicas e Apologéticas da Evangelização Muçulmana, Westminster
Theological Journal, vol. 42, n.o2 (spring 19080), p. 338.
[3] Para o olhar Cristão de Deus, veja H. Spencer, “Islam and the Gospel
of God” – Islão e o Evangelho de Deus (Madras: S.P.K.C., 1956) e Augustus
Strogn, Systematic Theology – Teologia Sistemática, p. 186. Para o pondo de
vista Muçulmanos, veja Mohammed Zia Ullah, Islamic Concept of God - Conceito
Islâmico de Deus. (London: Kegan Paul Inter., 1984).
[iv] Mencionado por Zwemer, Doutrinas
Muçulmanas, p. 21.
[v] International Standard Bible Encycolpedia (ed. Orr), II:1323.
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