A LÂMPADA
DO SENHOR
A
natureza e a função da consciência humana
A alma do homem é o sopro do Criador. O sopro acendeu a
inteligência no cérebro e infundiu vitalidade no coração. Fez mais do que isso.
Tornou o homem um ser moral, capaz de virtude e responsável por seus atos. O
sopro vitalizador do Senhor acendeu uma luz no homem — aqui chamada de “a vela,
ou lâmpada, do Senhor”. Por meio dessa ‘luz’, o homem vê sua própria natureza
interior, testemunha o processo de sua própria mente e observa os movimentos de
seus afetos e vontade. A consciência ocupa um lugar de importância preeminente
em nossa natureza.
1. Os cientistas dão uma definição de consciência, enquanto o
uso popular sanciona outra, materialmente diferente.
No uso cotidiano, a palavra é usada para indicar toda a
natureza moral do homem.
Quando um homem resiste à tentação, ele diz: “Minha
consciência não me permite fazer isso’. A consciência inclui três coisas:
·
a percepção do certo e do errado;
·
o julgamento de uma ação específica como certa ou errada;
·
o sentimento de prazer ou remorso que se segue a uma ação
certa ou errada.
O uso bíblico da palavra é o mesmo que o nosso uso comum na
linguagem cotidiana. No uso das Escrituras, a consciência inclui a
percepção, o julgamento ou discernimento e o sentimento. Consciência não é
um termo do Antigo Testamento. E, curiosamente, a palavra nunca foi usada nos
ensinamentos do Senhor Jesus. Porém, o uso de outras palavras a descrevem com
clareza!
2. A palavra que Paulo usa para descrever a função da
consciência é a palavra figurativa “testemunha”.
“Os quais mostram a obra da lei escrita em
seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus
pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;” – Romanos 2:15[2]
A consciência é uma testemunha que testifica na alma. Uma testemunha é alguém que testifica,
alguém que relata claramente o que sabe sobre um assunto.
“A que fatos ou verdades a consciência dá testemunho? Ela
testifica da existência de uma distinção fundamental entre o certo e o errado.
Ela testifica que o certo deve ser feito e que o errado não deve ser feito. Ela
condena o homem quando o errado foi feito. Seu testemunho se torna um freio às
ações do homem.” (Jesse T. Whitley.)
Lidando com a questão espiritual do homem
O texto é um relato da alma, ou da parte racional do homem. A
alma do homem é a lâmpada do DEUS Eterno e Verdadeiro, isto é, suas operações e
a maneira como as realiza são semelhantes às de uma lâmpada, e ele é sustentado
nelas espiritualmente por Jeová, assim como uma lâmpada o é fisicamente na
natureza.
Numa lâmpada há quatro elementos:
1. Um recipiente.
2. Uma substância capaz de ser iluminada.
3. A necessidade de acendê-la.
4. Um suprimento constante de óleo para mantê-la acesa.
Esses detalhes são espiritualmente verdadeiros na alma do
homem.
A Bíblia sempre usa “conhecer a DEUS” ou “conhecimento de
DEUS” para expor o confronto do ser humano com a Verdade de Seu Evangelho:
Mateus 13:11; Lucas 8:10; João 8:28 e 32: 17:3 e 26; Romanos 1:19; I Coríntios
2:12; Efésios 3:19; Colossenses 1:27; I João 4:2. A busca consciente de Deus é
algo racional, que ocorre por iluminação na alma, não algo meramente emocional
e superficial, mas abundantemente real e verdadeiro.
I. A ALMA TEM UM RECIPIENTE NO QUAL ESTÁ ENVOLVIDA E CONTIDA.
·
O corpo é o recipiente desta lâmpada de DEUS.
II. A ALMA, EMBORA CAPAZ DE RECEBER ILUMINAÇÃO DE DEUS, É EM
SI MESMA ABSOLUTAMENTE ESCURA QUANDO NÃO HÁ VIDA ESPIRITUAL (NOVO NASCIMENTO).
·
Quando, por aquele grande e original pecado da queda, a luz
que havia em nós se tornou escuridão, quão grande foi essa escuridão! Com a
queda, essa gloriosa excelência e perfeição de nossa natureza, o discernimento
espiritual pela fé, se perdeu, e nos tornamos como os animais.
III. CRISTO FOI ENVIADO PARA ACENDER UMA LUZ NA ALMA, PROVENDO
REGENERÇÃO ESPIRITUAL.
·
“Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que
vem ao mundo”. – João 1:9. Todo homem, judeu ou gentio.
·
Quando a luz de Jeová é acesa na alma do homem, atingindo sua
consciência, e não é obscurecida pela sensualidade, ela conquista e triunfa
sobre as trevas naturais que existem em nós.
·
Quando a luz divina é o agente na alma (razão, emoção,
consciência, sentimentos), no momento em que encontra qualquer escuridão que
impeça e obstrua suas operações, ela imediatamente recua e, por esse meio, nos
adverte sobre ela; depois disso, ela nunca descansa até que a tenha expulsado
ou a tenha conformado a si mesma.
IV. O ÓLEO ESPIRITUAL É NECESSÁRIO PARA MANTER A LUZ VIVA EM
NOSSOS CORAÇÕES.
O Espírito Santo é o óleo divino que deve alimentar e nutrir
nossas lâmpadas. Inferências para nossa orientação na fé e na prática:
1. Se o corpo é um vaso para conter a lâmpada celestial, quão
poucos buscam “possuir este vaso em santificação e honra”? (I Tim. 4.4)
2. Se a alma é escura por natureza, o que acontece com aquele
ídolo dos deístas, a “luz da natureza”? Ou os espíritos pagãos, que se
apresentam como “iluminadores da alma”? (Meditação, Hipnose, Psicologia,
Regressão, Psicotrópicos, Espiritualismo, Alucinógenos, etc).
3. Se Cristo é a única pessoa que pode iluminar nossas trevas,
a Ele todos devem ir, pois é onde todo homem encontra “descanso para a alma”
(Mateus 11:28-30).
4. Não cometamos o erro fatal de partir ao encontro do Noivo
sem levar óleo em nossos vasos, com nossas lâmpadas, ou seja verdadeira
salvação e não apenas alívio religioso. (Mateus 25:8)
Alma human como o “nervo” do senso religioso
A alma humana é capaz de brilhar, foi construída para brilhar;
mas não se acende até que seja acesa, pois é a vela do Senhor.
A alma do homem faz parte do que nós somos, nossa humanidade,
o que nos torna diferente dos animais (razão, sentimentos, afeto, comunicação
etc.) e é capaz de refletir “luz” quando atingido por uma “chama”. É uma
capacidade especial que temos para sentir, apreciar e responder às coisas
Divinas, algo inexistente nos animais.
O som afeta o ouvido; a luz, o olho; a alma é o nervo da
sensação religiosa. O homem é um conjunto de adaptações que Deus estabeleceu.
Algo que Freud, Jung e seus discípulos
até hoje jamais chegaram perto de entender e compreender. O senso religioso é a
faculdade que todos os homens possuem e que lhes foi dada pelo Cristo, em graus
variados, de apreciar as coisas religiosas e Divinas.
Não poderíamos ser santos sem o instinto ou senso religioso,
mas esse instinto não garante nossa santidade ou a aproximação da Verdade de
DEUS. Nisso não há diferença entre o instinto religioso e os outros instintos.
O senso religioso faz parte da essência original de cada homem, que os move a
investigar e buscar respostas. Mas esse senso, por si só, não é suficiente. Todos
sabem e tem consciência que existe um Deus e são indesculpáveis (Rom. 1:19-22),
porém o homem ímpio prefere antes cauterizar sua própria consciência e se
esconder de DEUS, tendo a mesma atitude ateísta de Adão após a Queda (Gên.
3:10, I Timóteo 4:2).
A consciência em santidade oferece ao professor e ao pregador
um ponto de partida. A facilidade com que as crianças podem ser abordadas em
assuntos religiosos mostra que a religião é uma questão de instinto natural
humano antes de ser uma questão de educação. Esse senso religioso inato é um
argumento fácil para a existência de Deus entre os infantes, por isso os
ateísta o odeiam. E é esta a razão pela qual Satanás levantou servos,
doutrinas, teorias e práticas que desde cedo buscam afetar essa consciência e
quebrantar a inocência infantil, levando-as para longe dessa consciência da
Divindade (Mateus 18:6).
“A posse desse senso religioso nos coloca no caminho de uma
busca, de um dever muito simples e prático, da necessidade de respostas. Se nos
voltaremos ao caminho da verdade, sendo salvos e feitos santos ou não,
dependerá principalmente de como lidamos com nossa consciência, e se a
reprimimos e sufocamos, ou lhe damos a oportunidade de se desenvolver
livremente em nossas almas. Cabe a cada um de nós tomar medidas firmes para
trazer essa consciência religiosa à tona com maior força e brilho pleno à luza
da Palavra de DEUS”. (C. H. Parkhurst)
A alma consciente do homem
Quando Deus completou a “casa da alma”, Ele a mobiliou
generosamente com luzes gloriosas: intelecto, emoções, razão, sentimentos,
afetos, desejos, capacidade de se comunicar, socialidade etc. O intelecto humano
é uma das luzes brilhantes colocadas na “casa da alma” para alegrar e guiar os
homens nesta vida terrena passageira. A luz da mente humana é inestimável. O
homem dificilmente é um homem sem sua chama iluminadora. Sem ela, se
desumaniza, se torna animalesco e plenamente vil. Há também a “luz guia” da
consciência. E há a luz espiritual, cuja fonte é o Espírito Santo de DEUS
atuando no ser humano, que caracteriza toda a humanidade, que leva a humanidade
em todos os lugares a buscarem adorar, quer isso os constranja ou não, quer
eles se submetam ou lutem em contrário à Sua mansa voz.
I. O HOMEM, UM SER CONSCIENTE
Diz-se somente do homem: “À imagem de Deus o criou” (Gên.
1:27). Isso destaca o homem como o maior ser da Terra, acima dos animais
irracionais e sem alma. Todo homem sincero, inteligente e que investiga tem, em
alguma medida, consciência de uma grandeza inerente advinda da criação. A
personalidade consciente do ser humano é um poder único, concedido pelo Criador.
No âmbito moral, todo homem é um “soberano” que concebe planos e executa
propósitos de grande significado e consequências de longo alcance. A personalidade
consciente do homem sobrevive ao choque da morte. O corpo dorme, a alma não! O
homem é filho de Deus, como ser resgatado ou como criatura que lhe deve honra e
louvor. Os filhos de Deus adotados ou resgatados, os salvos em Cristo,
participam da natureza divina pois nasceram de novo. Isso os eleva a um plano
infinitamente distante das criaturas perdidas que lhes são próximas na escala
da existência. A verdadeira grandeza consiste na semelhança com Deus. Um homem
bom é uma das maiores obras de Deus.
II. O HOMEM É DIVINAMENTE ILUMINADO.
1. A luz intelectual do homem vem de Deus.
·
Isso é verdadeiro, quer os homens reconheçam, quer não!
2. A luz da consciência vem de Deus.
·
É uma chama pura e clara que nos revela a natureza de nossos
pensamentos e propósitos antes que se tornem ações.
3. A luz espiritual no homem vem de Deus.
·
Selvagens e civilizados, em todo o mundo, são levados pela
consciência a adorar algum deus. Mesmo os que se proclamam ateus se fizeram
deuses para si mesmos! A lâmpada que ilumina todos os homens que vêm ao mundo e
os conduz à adoração verdadeira é, sem dúvida, de origem divina. Na adoração
verdadeira, a alma presta sua homenagem filial a Deus, servindo consciente e
livremente, debaixo da condução pacífica do Espírito Santo.
III. O HOMEM FOI ILUMINADO PARA UM PROPÓSITO DIVINO.
Deus criou todas as coisas para a Sua própria glória. Homens
de grande capacidade intelectual são colocados por Deus em meio à escuridão
moral do mundo, para que, com sua luz vinda do Criado, possam dissipar a noite
mental de seus semelhantes. Grandes intelectos possuem um poder tremendo para o
bem ou para o mal.
“O homem é como a vela acesa pelo Espírito de Deus, irradiando
a glória da natureza de Deus e glorificada pelo fogo divino. Mas alguns homens
são velas apagadas”. (D. Rhys Jenkins)
A luz da consciência
Victor Hugo disse:
“Em cada coração humano há uma luz acesa e, perto dela, um
vento forte que procura extingui-la; essa luz é a consciência, esse vento é a
superstição. A consciência é filha de Deus; a superstição, filha do diabo. A
consciência ama e se alegra na luz; a superstição odeia a luz da mente e do
espírito, porque suas obras são más.”
Conclusão
Deus deu a cada homem
uma mente racional, uma alma consciente. Homens podem se tornar animalescos por
vontade própria, cauterizando a alma, suas consciências, desumanizando-se. Essa
é a vontade de Satanás e ele tem feito isso por meio de seus teóricos
humanistas.
DEUS, em Sua
misericórdia e amor, ilumina a alma humana de salvos e perdidos pelo seu próprio
Espírito Santo, por meio do instrumento da consciência, de modo que o homem sabe
distinguir o bem do mal, mesmo que eles façam escolhas rebeldes e
desobedientes. A consciência, que dela brota, sonda os recônditos da própria
alma. A maldade odeia a luz da mente e do espírito, porque as suas obras são
más e ímpios preferem amar mais as trevas do que a luz. (João 3:19 e 7:7)
A
alma do homem é como uma “lâmpada” ou uma “vela” acesa, que Deus acendeu em
cada ser humano, que ilumina e revela tudo o que acontece, nos deixa
conscientes e que nos permite fazer uso da razão que nos distingue dos animais
irracionais. Ela é o sopro de vida que o Senhor nos deu. (Gên. 2:7) Tudo que o homem mal deseja,
escravizado pelo mundo, pela carne e pelo diabo é apagar essa luz e viver em
trevas, longe de Seu Criador.
Lord Bacon refere a
última parte deste versículo, “...que
esquadrinha todo o interior até o mais íntimo do ventre”. Provérbios 20:27, à
busca inquisitiva da mente humana por todo tipo de coisa; pois, embora o sábio
diga em Eclesiastes 3 que é impossível ao homem descobrir todas as obras de
Deus, isso não diminui a capacidade da mente humana de pesquisar, estudar, investigar,
analisar e perscrutar, mas que pode ser também atribuído aos impedimentos dos
limites do conhecimento, tais como:
·
a brevidade da vida,
·
as disputas entre os
eruditos sobre o significado da vida
·
a vontade de unir-se
ou não a determinados estudos e trabalhos;
·
a tradição (muitas
vezes infiel e depravada) das ciências;
·
e muitos outros
inconvenientes que cercam o estado atual da vida humana.
E, para que nenhuma
parte do mundo seja negada à investigação ou invenção do homem, ele declara em
outro lugar, onde diz: “O
espírito do homem é a lâmpada do SENHOR, que esquadrinha todo o interior até o
mais íntimo do ventre”.
John Gill, um dos nossos
maiores teólogos batistas, afirmou:
“ A alma racional do
homem é uma luz acesa nele; é o que comumente se chama de luz da natureza; era
uma luz brilhante e intensa no início, mas pelo pecado tornou-se muito fraca;
por meio dela, os homens têm apenas um vislumbre das coisas divinas, de Deus e
de sua adoração, e do que Ele teria feito ou não feito; por essa luz, os homens
apenas tateiam em busca d'Ele, se por sorte o encontrarem e conhecerem a Sua
vontade; é como a luz de uma vela, na melhor das hipóteses, em comparação com a
revelação divina, ou o Evangelho da graça de Deus, que brilhou como o sol em
seu esplendor máximo; e especialmente em comparação com o sol da justiça,
Cristo Jesus, e a luz do Espírito divino; contudo, esta é uma luz acesa pelo
Senhor, uma lâmpada d'Ele; vem do Pai das luzes, Ele é o autor e mantenedor
dela; é um espírito e entendimento que são inspirados pelo Todo-Poderoso ( veja
Gênesis 2:7)...
...Ela é o “que esquadrinha todo o interior
até o mais íntimo do ventre.” ou coração, os pensamentos, as intenções, as emoções e
propósitos dele. Estas são as coisas de um homem que somente o espírito do
homem conhece; por esta vela, ou luz, ele pode olhar para dentro de seu próprio
coração, os recessos mais íntimos dele, e refletir sobre seus pensamentos e
planos, e julgar em certa medida se são certos ou errados; há uma consciência
no homem, que, a menos que cauterizada, emite sentença sobre o que está no
homem, ou o que ele faz, e ou desculpa ou acusa. (veja 1Co 2:10, Rm 2:14).
Atormentado pela
pecado, a alma humana, sua consciência acusando-o, seu coração instigando-o,
sua razão movendo em direção à respostas, só poderá encontrar descanso n’Aquele
que entregou a Seu único Filho a fim de prover perdão, salvação e vida eterna.
Não há outra resposta para o vazio existencial humano, senão em Jesus Cristo.
Leitor, não fuja como
Adão, antes permita que sua alma seja afetada pela consciência iluminada pelo
Espírito Santo de DEUS, buscando a resposta e descanso para todas as suas
indagações. Saiba que as encontrará apenas em Cristo e em Sua mensagem de
arrependimento e fé.
Vinde a mim, todos os que estais cansados e
oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas
almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. – Mateus 11:28-30 (ACF)
Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para
que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério
pela presença do Senhor, - Atos 3:19 (ACF)
Fevereiro,
2026. Versão 00. TODAS as citações Bíblicas são das seguintes versões: Almeida
Corrigida e Fiel ao Texto Original da SBTB (a única que atualmente recomendamos
na Língua Portuguesa) e King James Bible 1611 original em inglês (a única que
recomendamos em Língua Inglesa).
[1]
Na KJB166 temos “candle” ou invés de
“lâmpada” (ACF), da tradução do hebraico נִיר [niyr], propriamente, significando brilhar; uma
lâmpada (isto é, o queimador) ou luz (literal ou figurativamente), vela,
lâmpada, luz.
[2]
Na King James
Bible 1611 a palavra grega συνειδησις (suneidesis) foi traduzida por
“Witness” (testemunha).
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