A Invasão Islâmica, Cap.6: A Vida de Maomé



A INVASÃO ISLÂMICA

Por Robert Morey



 Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, - ref. Mateus 13:22 (ACF) 



Parte Três – O deus do Islão


Capítulo 6, A Vida de Maomé


 


 

A vida de Maomé, com todas as suas reviravoltas interessantes, pode ser conhecida através do material encontrado no Alcorão, nos Hadiths e nas antigas tradições islâmicas. Existem também muitas biografias, muçulmanas e ocidentais, que foram escritas sobre este homem.

 

Felizmente, os fatos básicos relativos à vida de Maomé são bem conhecidos e não são motivo de controvérsia[1].

 

Nascimento e primeiros anos de vida

 

Maomé nasceu em 570 d.C. em Meca, filho de Abdullah (Abd-Allah) e Aminah. Ele pertencia à tribo dos coraixitas, que controlava a cidade de Meca e era a guardiã da Caaba e dos locais de culto religiosos ao seu redor.

 

Embora fosse parente distante da família real árabe de Hashim, o ramo específico da família ao qual Maomé pertencia era pobre.

O pai de Muhammad morreu antes de ele nascer, e sua mãe morreu quando ele ainda era jovem. Ele foi enviado para morar com seus avós ricos.

 

Mais tarde, os avós de Muhammad o enviaram para morar com um tio rico, que por sua vez o passou para um tio pobre que o criou da melhor maneira possível.

 

É interessante notar que muitos de seus familiares nunca aceitaram a alegação de Maomé de ser um profeta. Por exemplo, seu avô viveu e morreu pagão e nunca se converteu ao Islão.

 

Segundo os biógrafos e as primeiras tradições muçulmanas, Maomé não realizou feitos extraordinários em sua juventude. Era um menino árabe comum que gostava de conversar com os viajantes das caravanas. Adorava explorar o deserto, em especial as cavernas. O único aspecto incomum de sua infância foi o início de suas aparições religiosas.

 

Visões iniciais

 

Segundo as primeiras tradições muçulmanas, o jovem pagão Maomé teve visões milagrosas.

 

Existe um relato fidedigno em que Maomé afirmou que um ser celestial lhe abriu o estômago, mexeu em suas entranhas e depois o costurou novamente![2]

 

O próprio Maomé se refere posteriormente a esse episódio na Sura 94:1, que é traduzida literalmente como:

 

Não abrimos para ti o teu peito?

 

Embora todos os primeiros escritores muçulmanos, incluindo os parentes de Maomé, situem esse evento na juventude de Maomé, apologistas muçulmanos posteriores, por constrangimento, tentaram deslocá-lo para um período posterior ao seu chamado para ser profeta. Mas as evidências históricas são totalmente contrárias a essa hipótese.

 

Quanto ao significado de sua barriga ter sido aberta e suas entranhas terem sido reviradas, não nos é dito. Mas essa história está tão bem documentada que não pode ser negada.

 

Muitos estudiosos do Oriente Médio acreditam que esses primeiros episódios religiosos podem ter sido resultado de algum tipo de problema mental ou do problema médico da epilepsia.

 

Mãe de Maomé

 

A mãe de Maomé, Aminah, tinha um temperamento explosivo e frequentemente afirmava ser visitada por espíritos, ou gênios – os cristãos os chamam “demônios”.

 

Ela também afirmava, por vezes, ter visões e experiências religiosas. A mãe de Maomé estava envolvida no que hoje chamamos de “artes ocultas”, e alguns estudiosos acreditam que essa orientação básica foi herdada por seu filho[3].

 

A possibilidade de epilepsia

 

Mas outros estudiosos sugerem que talvez as primeiras visões de Maomé tenham sido resultado de uma combinação de crises epilépticas e uma imaginação hiperativa.[4]

 

A tradição islâmica antiga registra que, quando Maomé estava prestes a receber uma revelação de Alá, ele frequentemente caía no chão, seu corpo começava a tremer, seus olhos reviravam e ele transpirava profusamente. Nesses episódios, costumavam cobri-lo com um cobertor.

 

Era nesse estado de transe que Maomé recebia visitas divinas. Após o transe, ele se levantava e proclamava o que lhe havia sido transmitido.

 

A partir da descrição dos movimentos corporais que frequentemente estavam associados aos seus estados de transe, muitos estudiosos afirmaram que se tratavam de crises epilépticas.

 

Por exemplo, a Enciclopédia Concisa do Islão, publicada pela Universidade Cornell, destaca que o próprio Hadith descreve “o estado extático meio anormal com o qual ele foi dominado” (p. 274).

 

É importante lembrar que, na cultura árabe da época de Maomé, as crises epilépticas eram interpretadas como um sinal religioso de possessão demoníaca ou de visitação divina.

 

Inicialmente, Maomé considerou ambas as opções como possíveis interpretações de sua experiência. A princípio, ele se preocupou com a possibilidade de estar possuído por um gênio (demônio). Isso o levou a tentar cometer suicídio.

 

Mas sua esposa devotada conseguiu impedi-lo de cometer suicídio, convencendo-o de que ele era um homem tão bom que era impossível estar possuído por um gênio (demônio). Trataremos sobre isso mais adiante.

 

Sabemos que sequer mencionar a possibilidade real de Maomé ter sofrido crises epilépticas é extremamente ofensivo para os muçulmanos. Para eles, é uma blasfêmia considerar tal interpretação.

 

Mas não conseguiríamos transmitir ao leitor todos os fatos sobre Maomé se omitíssemos isso. Como poderíamos esconder o que muitos estudiosos do Oriente Médio já disseram?

 

Os estudiosos ocidentais não negam que Maomé tenha tido experiências de algum tipo. Mas também acreditam que tais experiências devem ser interpretadas e que cada um tem o direito de formar sua própria opinião sobre o que foram essas experiências.

 

Assim como os muçulmanos são livres para interpretá-las como visitas divinas, os não muçulmanos são livres para interpretá-las como crises epilépticas, possessão demoníaca, imaginação fértil, fraude, histeria religiosa ou qualquer outra coisa que lhes dê uma explicação adequada para o que Maomé estava vivenciando[5].

 

O leitor terá que formar a sua própria opinião. Nossa tarefa é apresentar-lhe todas as opções possíveis.

 

Na Enciclopédia de McClintock e Strong, lemos o seguinte:

 

Maomé possuía uma constituição nervosa e uma imaginação fértil. Não era de todo estranho que, com o tempo, ele viesse a considerar-se de fato chamado por Deus para edificar seu povo em uma nova fé.

Maomé, segundo podemos depreender das narrativas mais antigas e confiáveis, era epilético e, como tal, era considerado possuído por espíritos malignos.

A princípio, ele acreditou nos ditos, mas gradualmente chegou à conclusão, confirmada por seus amigos, de que os demônios não tinham poder sobre um homem tão puro e piedoso como ele, e concebeu a ideia de que não era controlado por espíritos malignos, mas que era visitado por anjos que ele, propenso a alucinações, visões e alucinações, afligido pelo estado mórbido de corpo e mente, via em sonhos. Ou mesmo enquanto acordado, acreditava ver. O que lhe parecia bom e verdadeiro após tais crises epilépticas, ele considerava revelação, na qual, pelo menos na primeira fase de seu curso patético, acreditava firmemente e que conferia ao seu caráter pensativo e instável a coragem e a resistência necessárias para enfrentar todas as mortificações e perigos[6].

 

Reticência Moderna

 

Compreendemos perfeitamente a relutância moderna em apontar que as crises epilépticas de Maomé poderiam ter sido a origem de seus estados de transe religioso.

 

Entendemos que esta declaração poderá ofender a sensibilidade de alguns muçulmanos. Mas a nossa intenção não é ofender, mas sim informar e estabelecer que, de acordo com as descrições das características físicas que se manifestaram quando Maomé entrou em transe, conforme registrado nas primeiras tradições muçulmanas, não devemos descartar automaticamente a possibilidade de epilepsia.

 

A ideia de que as crises epilépticas eram vistas como visitas dos deuses ou possessão por espíritos malignos faz parte da superstição e da vida religiosa da Arábia pré-islâmica.

 

Essa realidade, aliada ao fato de que essas duas opções eram as únicas que o próprio Maomé considerava como possíveis explicações para seus transes, leva à conclusão de que ele ou tinha epilepsia ou algo semelhante.

 

Não podemos simplesmente ignorar os fatos históricos ou tentar reescrever a história para evitar ferir os sentimentos daqueles que não querem ouvir a verdade.

 

Fatos são fatos, independentemente da opinião de alguém sobre eles!

 

Toda uma geração de estudiosos islâmicos declarou publicamente que devemos considerar a possibilidade de Maomé ter sofrido de epilepsia e que isso se manifestou desde cedo pela visão de sua barriga sendo aberta e, posteriormente, por todos os seus êxtases “proféticos”.

 

Contexto religioso

 

Como vimos, a tribo dos coraixitas, na qual Maomé foi criado, era particularmente devota ao culto do deus da lua, Alá. Enquanto Maomé crescia, perto da Caaba, dos 360 ídolos e da sagrada pedra negra, considerada um amuleto da sorte para a tribo dos coraixitas, ele testemunhou peregrinos chegando a Meca todos os anos. Ele os observava adorar na Caaba, correndo ao redor dela sete vezes, beijando a pedra negra e, em seguida, correndo até um ‘Wadi’[7] próximo para atirar pedras no diabo.

 

Não é surpresa, portanto, constatar que a maioria dos elementos de sua educação religiosa foram transferidos para a religião islâmica e não provêm de uma “nova” revelação de Alá, como afirma o Islão.

 

 

Sua primeira esposa

 

A vida de Muhammad foi tranquila na juventude. Aos 25 anos, ele cuidava de uma caravana. A dona da caravana era 15 anos mais velha que ele e viúva. Ela se apaixonou por ele e casou-se com ele. Juntos, tiveram dois filhos, que morreram jovens, e quatro filhas.

 

Uma das filhas casou-se com Uthman, que se tornou o califa que mais tarde padronizou o texto do Alcorão.

Após se casar com a viúva rica, Muhammad viveu uma vida de diversões e lazer e suas obrigações se limitavam a administrar a barraca de produtos agrícolas da família no mercado.

 

Seu chamado para ser um profeta

 

Aos 40 anos, Maomé teve mais uma “visitação”. Como resultado dessa experiência religiosa, ele afirmou que o Alá o havia chamado para ser profeta e apóstolo.

 

É importante ressaltar que não havia tradição de “profeta” ou “apóstolo” na religião árabe.

 

O termo “profeta” foi usado na esperança de que os Judeus aceitassem Maomé como o próximo profeta, enquanto o termo “apóstolo” foi usado da mesma forma, na esperança de que os cristãos o reconhecessem como o próximo apóstolo.

 

O apelo de Maomé não se dirigiria apenas aos pagãos que já se juntavam a ele em adoração na Caaba, em Meca, mas também aos Judeus e aos cristãos.

 

Quatro versões conflitantes

 

No Alcorão, somos informados de que Alá chamou Maomé para ser um profeta e um apóstolo. Mas, como observou o Dr. William Montgomery Watt:

 

Infelizmente, existem diversas versões alternativas desses eventos[8].

 

O Alcorão nos apresenta quatro relatos conflitantes sobre esse chamado original para ser profeta. Ou um desses quatro relatos é verdadeiro e os outros são falsos, ou todos são falsos. Não podem ser todos verdadeiros.

 

No Alcorão, Maomé descreveu seu chamado inicial para ser profeta e apóstolo em quatro ocasiões diferentes.

 

Somos informados pela primeira vez na Sura 53:2–18 e na Sura 81:19–24 que Alá apareceu pessoalmente a Maomé na forma de um homem e que Maomé o viu e o ouviu.

 

Isso é posteriormente abandonado, e então somos informados na Sura 16:102 e na Sura 26:192-194 que o chamado de Maomé foi emitido pelo “Espírito Santo”.

 

Como Maomé não discute realmente quem ou o que é esse “Espírito Santo”, essa ideia também é posteriormente abandonada.

 

O terceiro relato de seu chamado original é dado na Sura 15:8, onde nos é dito que “os anjos” foram os que desceram até Maomé e anunciaram que Alá o havia chamado para ser um profeta.

 

Mesmo esse relato é posteriormente alterado na Sura 2:97, de modo que é apenas o anjo Gabriel quem faz o chamado a Maomé e lhe entrega o Alcorão.

 

Este último relato de seu chamado original foi influenciado pelo fato de Gabriel ter desempenhado um papel significativo no nascimento tanto de Jesus quanto de João Batista.

 

Alguns estudiosos acreditam que Maomé presumiu que seria apropriado que o próximo grande profeta na linhagem, sendo ele próprio, também recebesse o chamado de Gabriel.

 

Este quarto e último relato de seu chamado inicial é aquele que a maioria dos muçulmanos e não muçulmanos ouviu.

 

Revelação Islâmica

 

Neste ponto, devemos salientar que o conceito de revelação no pensamento islâmico não é o mesmo que o que os cristãos têm em relação à Bíblia.

 

A palavra “revelação” em árabe significa literalmente “transmitido”. Isso significa que o Alcorão não veio “através de” ou “por” nenhum homem, incluindo Maomé. O Alcorão só veio “para” o homem, neste caso, Maomé.

 

Portanto, o Alcorão não tem autores humanos. Alá fala por meio de Gabriel ao homem, e o homem é o receptor e não o autor do Alcorão.

 

Isso contrasta com os autores bíblicos, que inclusive se identificaram como sendo os autores humanos de seus respectivos livros.

 

Os cristãos não têm dificuldade em dizer que Isaías escreveu o livro de Isaías ou que Mateus escreveu o livro de Mateus. Eles não sentem que isso diminua ou limite a inspiração da Bíblia de forma alguma.

 

Mas o Alcorão nega qualquer origem humana ou terrena para o material que foi transmitido do céu por Alá através de Gabriel.

 

Dúvidas e suicídio

 

Após essa experiência religiosa inicial, na qual sentiu que havia sido chamado para ser profeta e apóstolo, Maomé começou a ter sérias dúvidas sobre sua sanidade. Em particular, temia estar possuído por demônios.

 

As características físicas associadas ao seu transe religioso pareciam, até mesmo para Maomé, semelhantes às de pessoas de sua comunidade que desmaiavam em convulsões e das quais outros diziam estar possuídas por demônios.

 

Ele ficou tão deprimido que decidiu cometer suicídio. Mas, a caminho do local onde iria se matar, teve outra convulsão.

 

Ele teve outra visão na qual sentiu que lhe fora dito para não se matar, pois ele realmente fora chamado por Deus.

 

Mesmo após essa experiência religiosa, ele continuou deprimido e cheio de dúvidas.

 

  

Ele começa sua pregação




Quando ele finalmente se abriu com sua esposa, ela o apoiou, pois sentia que Deus realmente o havia chamado para ser profeta e apóstolo. Ela o encorajou a começar a compartilhar essa “boa notícia” com sua família e amigos.

 

Inicialmente, Maomé compartilhou seu chamado apenas com sua família e amigos em segredo. De fato, seus primeiros convertidos foram membros de sua própria família.

 

A oposição começa

 

Mas logo sua mensagem se tornou pública, e ele passou a ser alvo de abusos e ridicularização por parte da população em geral e até mesmo por membros de sua própria família.

 

Em certo momento, a hostilidade contra Maomé foi tamanha que os habitantes de Meca sitiaram a parte da cidade onde ele morava. Ele então se viu diante de uma situação muito difícil.

Os Versos Satânicos

 

Para apaziguar seus familiares pagãos e os membros da tribo de Quraysh, ele decidiu que o melhor a fazer era admitir que era perfeitamente correto orar e adorar as três filhas de Alá: Al-Lat, Al-Uzza e Manat.



 

Isso levou aos famosos “versículos satânicos”, nos quais Maomé, num momento de fraqueza e supostamente sob a inspiração de Satanás (de acordo com as primeiras autoridades muçulmanas), Maomé sucumbiu à tentação de apaziguar as multidões pagãs em Meca (Sura 53:19).

 

A literatura sobre os “versículos satânicos” é tão vasta que um volume inteiro poderia ser escrito apenas sobre este assunto. Todas as obras de referência, gerais e islâmicas, muçulmanas ou ocidentais, abordam o tema, assim como todas as biografias de Maomé.

 

A história do apaziguamento temporário dos pagãos por Maomé, permitindo-lhes o politeísmo, não pode ser ignorada ou negada. É um fato histórico corroborado por todos os estudiosos do Oriente Médio, ocidentais e muçulmanos.

 

Sabemos que existem alguns apologistas muçulmanos modernos que rejeitam a história dos “versículos satânicos”. Mas devemos salientar que o fazem não com base em qualquer evidência histórica ou textual. Sua objeção baseia-se unicamente no argumento de que Maomé era sem pecado e, portanto, não poderia ter feito isso![9]

 

Maomé é repreendido

 

Quando seus discípulos em Medina souberam da queda de Maomé no politeísmo, correram até ele com repreensões e conselhos.

 

Maomé afirmaria mais tarde que o próprio Gabriel desceu do céu e o repreendeu por permitir que Satanás o inspirasse a ceder à adoração das filhas de Alá em Meca.

 

Ele então retornou ao monoteísmo e declarou que Alá pode “ab-rogar”, isto é, cancelar, anular ou invalidar, uma revelação passada.

 

Após a morte de Maomé, os “versículos satânicos” não foram incluídos no texto do Alcorão. Eles foram ab-rogados.[10]

 

Isso, é claro, gerou inúmeras zombarias. Os pagãos de Meca apontaram com alegria que o Alá de Maomé simplesmente não conseguia se decidir: em um momento, Maomé afirmou que Alá disse que eles não podiam adorar as três filhas de Alá. Depois, Alá disse que eles podiam adorar as três filhas. E agora, mais uma vez, estavam sendo informados de que não podiam adorar as três filhas. Será que Alá não consegue se decidir?

 

 

Forçado a fugir

 

Devido ao ridículo e à crescente hostilidade, Maomé deixou Meca e foi para Ta-if.

 

Sem obter sucesso ou converter ninguém em Taif, decidiu retornar a Meca. Em seu caminho de volta, segundo o Alcorão, nas suras 46:29-35 e 72:1-28, Maomé pregou e converteu os jinns (gênios) !

 

De acordo com o Alcorão, os gênios, por sua vez, pregaram o Islão ao povo. Assim, os espíritos masculinos e femininos que habitavam as árvores, as rochas e as águas da Arábia tornaram-se muçulmanos e estavam sob o controle de Maomé.[11]

 

Esta é uma forma clássica de xamanismo, na qual Maomé alegava ter controle sobre os espíritos da Terra.

 

De volta a Meca, descobriu que a hostilidade à sua mensagem havia aumentado ainda mais. Os mercadores, em particular, estavam profundamente preocupados com a possibilidade de que a base financeira da cidade pudesse ser destruída por seu ataque à adoração dos ídolos colocados na Caaba.

 

Mudança para Medina

 

Maomé deixou Meca mais uma vez e desta vez mudou-se para Medina, onde sua pregação foi recebida. Em Medina, Maomé percebeu que sua família e tribo não abandonariam a adoração de ídolos a menos que fossem forçados a fazê-lo por meio de violência física.

 

 

A Primeira Batalha

 

Ele começou a testar seu próprio poder na guerra enviando seis seguidores que atacaram uma caravana, mataram um homem, escravizaram outros e saquearam a caravana. Esse evento ficou conhecido como o Ataque de Nakhla.

 

Tudo isso ocorreu durante o mês que, tradicionalmente, na época árabe, era o mês da trégua e da paz. Maomé recebeu inúmeras críticas por violar um período de trégua observado por toda a comunidade para saquear a caravana.[12]

 

A Segunda Batalha

 

Agora que o gosto da pilhagem e do derramamento de sangue estava na boca de seus discípulos, Maomé liderou pessoalmente a segunda batalha. Ele e seus seguidores venceram a batalha de Badr.

Esse grande sucesso levou a um número maior de seguidores que queriam participar das lutas, das mortes e dos saques.

 

Maomé se volta contra os Judeus

 

Foi nessa época que Maomé decidiu que os Judeus não se converteriam. O estudioso muçulmano Ali Dashti comenta:

 

Após o ataque a Nakhla, outros ataques contra caravanas de coraixitas e tribos hostis obtiveram sucesso e contribuíram para consolidar a situação financeira dos muçulmanos. Esses ataques abriram caminho para a ascensão do Profeta Maomé e seus companheiros ao poder e para o seu eventual domínio de toda a Arábia; porém, a medida imediata que garantiu a estabilidade econômica foi a tomada de poder e apreensão das propriedades dos Judeus de Yathreb fortaleceu e consolidou o prestígio dos muçulmanos.[13]

 

Inicialmente, Maomé tentou convencer os Judeus a aceitarem sua profecia pregando o monoteísmo, observando o sábado judaico, orando em direção a Jerusalém, invocando Abraão e os patriarcas, adotando algumas de suas leis alimentares e elogiando suas escrituras.

 

Mas, quando ficou evidente que os mercadores Judeus não se tornariam seus discípulos, Maomé decidiu abandonar a observância dos ritos judaicos.

 

Ele mudou a direção da oração de Jerusalém para Meca, abandonou o sábado e adotou o descanso pagão da sexta-feira. Retomou, então, os ritos religiosos pagãos nos quais fora criado por sua família.

 

Mas isso não foi tudo. Foi nessa época que Maomé começou a matar Judeus. Inicialmente, enviou assassinos para matar Judeus individualmente e, posteriormente, atacou assentamentos judaicos.

 

Havia uma razão financeira, bem como religiosa, para seus ataques aos Judeus.

 

Alguns dos assentamentos judaicos eram centros do comércio de ouro e prata; conquistando tais lugares, era possível obter grandes riquezas rapidamente.

 

A Enciclopédia Britânica destaca:

 

Ao descobrir a incompetência militar deles, ele parece não ter conseguido resistir à tentação de se apropriar de seus bens; e seu ataque ao próspero assentamento judaico de Khaibar parece ter sido planejado para satisfazer seus partidários descontentes com um acúmulo de pilhagem.[14]

 

Sua primeira derrota

 

Os Mecanos finalmente decidiram que Maomé representava uma ameaça séria e se aproximaram de seu grupo com um grande exército liderado por Uhud.

 


 

Maomé perdeu essa batalha, embora tivesse previsto a vitória. Ele foi atingido na boca por uma espada, perdeu vários dentes e quase morreu. Foi uma derrota terrível para ele e seus seguidores.

 

Alguns de seus seguidores se afastaram em consequência desse incidente. Sentiram-se enganados, pois haviam ido à batalha esperando uma vitória gloriosa e muitos despojos, mas tiveram que recuar derrotados, com seu líder e suposto profeta gravemente ferido.

 

Não se sabe por que os Mecanos não prosseguiram com a destruição de Maomé e suas forças, mas, após infligir baixas suficientes para aplacar o desejo de vingança árabe, os Mecanos retornaram às suas cidades e deixaram Maomé em paz.

 

Os assentamentos judaicos

 

Maomé então voltou sua atenção para os Judeus, que eram alvos mais fáceis do que os Mecanos.

 

Ele começou a matar Judeus e a saquear assentamentos judaicos. Depois que uma cidade judaica se rendeu, de 700 a 1.000 homens foram decapitados em um único dia, enquanto todas as mulheres e crianças foram vendidas como escravas e os bens da cidade saqueados! Esse fato é corroborado por estudiosos muçulmanos, bem como por historiadores ocidentais.[15]

 

Triunfo final sobre Meca

 

Maomé então voltou sua atenção para Meca. Suas forças haviam crescido o suficiente para que ele agora tivesse um grande exército em campo.

 

Um tratado foi estabelecido com as autoridades de Meca, no qual a paz entre Maomé e Meca duraria dez anos.

 

Com base na promessa de paz, Maomé e seus seguidores teriam permissão para peregrinar à Caaba e a Meca, e Maomé teria liberdade para persuadir as pessoas a adotarem o Islão por meio da persuasão moral e da pregação, mas não pela força.

 

Em menos de um ano, Maomé quebrou o tratado e, com um exército de milhares de seguidores, forçou Meca a se render à sua liderança.

 

Maomé tornou-se então o líder político incontestável de Meca, bem como seu líder religioso incontestável.

 

Ele “purificou o templo” da Caaba de todos os seus ídolos. Suprimiu toda a idolatria pela violência. Algumas das pessoas que ele matou eram aquelas com quem ele tinha uma vingança pessoal.

 

Por exemplo, havia uma poetisa que o ridicularizou e apontou que parte do material do Alcorão havia sido roubado de seu pai, também poeta. Ela foi morta para ser silenciada.

 

Maomé havia alcançado um sucesso inacreditável. Como chefe e potentado indiscutível de Meca e de seu centro religioso, tribos árabes começaram a afluir a ele de todos os lados.

 

A vida pessoal de Maomé

 

Em sua vida pessoal, Maomé tinha duas grandes fraquezas. A primeira era a ganância. Saqueando caravanas e assentamentos judaicos, ele acumulou uma riqueza fabulosa para si, sua família e sua tribo.

 

Sua segunda maior fraqueza eram as mulheres. Embora no Alcorão ele limitasse seus seguidores a quatro esposas, ele próprio teve mais de quatro esposas e concubinas.

 

A questão do número de mulheres com quem Maomé teve relações sexuais, seja como esposas, concubinas ou devotas, foi motivo de controvérsia entre os Judeus da época de Maomé. Ali Dashti comenta:

 

Todos os comentários concordam que o versículo 57 da Sura 4 (On-Nesa) foi revelado depois que os Judeus criticaram o apetite de Maomé por mulheres, alegando que ele não tinha nada a fazer a não ser tomar esposas.[16]

 

Como a poligamia era praticada no Antigo Testamento por patriarcas como Abraão, o simples fato de Maomé ter tido mais de uma esposa não é suficiente, por si só, para invalidar sua alegação de profecia. Mas isso não invalida o interesse histórico da questão para a compreensão de Maomé como homem.

 

Também apresenta um problema lógico para os muçulmanos. Como o Alcorão, na Sura 4:3, proíbe ter mais de quatro esposas, ter tido mais do que isso teria sido um pecado para Maomé.

 

Um apologista muçulmano com quem eu conversava argumentou o seguinte:

 

Maomé era sem pecado. O Alcorão considera pecado ter mais de quatro esposas. Portanto, Maomé não poderia ter tido mais de quatro esposas. Por quê? Porque Maomé era sem pecado.

 

Salientei que a questão de quantas esposas Maomé, ou qualquer outra pessoa, teve deveria ser respondida com base em evidências históricas e literárias, e não em fé cega.

 

O estudioso e estadista muçulmano Ali Dashti apresenta a seguinte lista das mulheres na vida de Maomé:

 




  1. Khadija
  2. Sawda
  3. Aesha
  4. Omm Salama
  5. Hafsa
  6. Zaynab (de Jahsh)
  7. Jowayriya
  8. Omm Habiba
  9. Safiya
  10. Maymuna (de Hareth)
  11. Fátima
  12. Hend
  13. Asma (de Saba)
  14. Zaynab (de Khozayma )
  15. Habla
  16. Asma (de Noman)
  17. Maria (a cristã)
  18. Rayhana
  19. Omm Sharik
  20. Maymuna
  21. Zaynab (uma terceira)
  22. Khawla


 

Diversas observações precisam ser feitas sobre a lista acima:

As primeiras 16 mulheres eram esposas.

As de número 17 e 18 eram escravas ou concubinas.

 

As últimas quatro mulheres não eram esposas nem escravas, mas sim mulheres muçulmanas devotas que se “entregaram” para satisfazer os desejos sexuais de Maomé.

 

Zaynab de Jahsh era originalmente esposa do filho adotivo de Maomé. O fato de Maomé tê-la tomado para si tem sido problemático para muitas pessoas, inclusive muçulmanos.

 

Aesha tinha apenas oito ou nove anos quando Maomé a levou para a sua cama. Essa faceta do apetite sexual de Maomé é particularmente perturbadora para os ocidentais.

 


     

Enquanto em países islâmicos uma menina de oito ou nove anos pode ser dada em casamento a um homem adulto, no Ocidente, a maioria das pessoas estremeceria ao pensar em uma menina de oito ou nove anos sendo dada em casamento a alguém.

 

Esse aspecto da vida pessoal de Maomé é algo que muitos estudiosos omitem mais uma vez porque não querem ferir os sentimentos dos muçulmanos. No entanto, a história não pode ser reescrita para evitar confrontar o fato de que Maomé tinha desejos antinaturais por meninas.

 

Por fim, Maria, a cristã copta, recusou-se a casar com Maomé porque não renunciaria ao cristianismo para abraçar o islamismo. Ela corajosamente escolheu permanecer escrava em vez de se converter.

 

A documentação sobre todas as mulheres do harém de Maomé é tão vasta e já foi apresentada tantas vezes por estudiosos competentes que apenas aqueles que usam raciocínio circular podem contestá-la.


 

A Morte de Maomé

 

Quanto às circunstâncias da morte de Maomé em 632 d.C., há alguma confusão.

 

A visão tradicional é que sua morte foi causada por envenenamento por uma mulher judia cujos parentes foram assassinados em um dos pogroms de Maomé contra os Judeus.

 

Contudo, como esse incidente de envenenamento pode ter ocorrido um ou dois anos antes de sua morte, parece difícil acreditar que o veneno só o tenha matado naquele momento.

 

Também fica evidente, pelos primeiros biógrafos, que Maomé não teve nenhuma premonição de sua própria morte. Ele não fez nenhum arranjo para um sucessor. Não estabeleceu nenhum tipo de burocracia governamental para administrar as coisas em caso de sua morte.

 

Tampouco reuniu ou compilou suas várias revelações no que hoje conhecemos como Alcorão. Sua morte foi repentina e não lhe deu tempo algum para organizar seus próprios assuntos.

 

Como Maomé não havia definido claramente o que deveria ser feito após sua morte, o Islão logo se dividiu em seitas rivais, como os xiitas e os sunitas.

 

 

Conclusão

 

A incrível genialidade e a personalidade forte de Maomé permitiram que ele transformasse um pequeno culto pagão de adoração ao deus da lua, Alá, na segunda maior religião do mundo!

 

 

Fonte: Morey, R. The Islamic Invasion – Confronting the World’s Fastest Growing Religion (A Invasão Islâmica – Confrontando a Religião de Mais Rápido Crescimento do Mundo), Harvest House Publishers. 1992. Revisão 00 em julho 2026, ênfases acrescentadas. TODAS as citações Bíblicas são das seguintes versões: Almeida Corrigida e Fiel ao Texto Original da SBTB (a única que atualmente recomendamos na Língua Portuguesa) e King James Bible 1611 original em inglês (a única que recomendamos em Língua Inglesa). Todas as ênfases acrescentadas pelo autor, serão mantidas na tradução.

 

 



[1] Dezenas desses biógrafos, muçulmanos e ocidentais, são listados na biografia.

[2] Alfred Guilaume, Islam, pp. 24-25.

[3] John McClintock e James Stron, Cyclopedia of Biblical, Theological, and Ecclesiastical Literature (Grand Rapids: Baker Book House, 1981 reprint), 6:406.

[4] N.T.: Caso semelhante aconteceu com as “visões” de Ellen Gould White que, tendo sido vítima de uma pedrada na infância, tornou-se epilética. Seus seguidores confundem suas crises epiléticas com suas supostas revelações extrabíblicas.

[5] Hurgronji, Mohammedanism (Westport, CT: Hyperion Press, 1981), p.46.

[6] McClintock and Strong, Cyclopedia, 6:406. Para obter mais informações sobre sintomas como quedas ao chão, sudorese profusa, ruídos estranhos, etc., consulte Pfander, The Balance of Truth, pp. 343-348.

[7] N.T.: Palavra de origem árabe que  significa “vale” ou” leito seco de rio”. É uma palavra que descreve uma formação geográfica comum em regiões áridas e semiáridas, onde a água flui sazonalmente durante períodos de chuva intensa. 

[8] Para uma análise completa dessa contradição, veja W. Montgomery Watt, Muhammad’s Mecca, pp. 54-68.

[9] Para uma obra apologética muçulmana que visa refutar quase todos os pontos levantados pela academia ocidental, veja o livre de Muhammad Husayn Haykal, The Life of Mudammad (Delhi: Crescent Pub., 1976). Seu livro é prejudicado pelo uso constante de raciocínio circular e por uma completa falta de rigor acadêmico. Para uma discussão detalhada por estudiosos ocidentais, veja Guillaume, Watt, Gibb, Jeffery, etc.

[10] W. Montogmery Watt, Muhammad’s Mecca, pp. 70-72, 86-93.

[11] Veja Guillaume, Islam, pp. 37-38.

[12] Ali Dashti, 23 Years, p. 86.

[13] Ibid., pg. 87.

[14] Encyclopedia Britannica, 15:648.

[15] Para documentação Muçulmana veja Ali Dashti, 23 Years, pp. 88-91. Para estudiosos ocidentais, veja Alfred Gullaume, Islam, pp. 47-48

[16] Dashti, 23 Years, pp. 120-138.

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