A
Perpetuidade do Sábado
Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. – Êxodo 31:16
Introdução
Vamos nos dedicar a
responder os dois principais textos utilizados pelos defensores da perpetuidade
do sábado.
Uma
Interpretação Exegética
Se
esses textos forem corretamente interpretados, deixam de servir como prova da obrigatoriedade permanente da guarda do sábado.
Vamos
analisar os textos de:
- Isaías 66:23
- Êxodo 31:16–17
I – Isaías 66:23:
“E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro,
virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR.”
Este é o argumento favorito dos sabatistas para afirmar que o
sábado será observado até mesmo na Eternidade, embora o texto se aplique especificamente
ao Milênio Literal, lembrando que os sabatistas são amilenistas. Podemos
destacar especialmente uma declaração da Sra. Ellen G. White, profetiza dos
sabadólatras, segundo a qual:
·
os remidos guardarão o sábado eternamente;
·
inclusive, segunda ela, os anjos observarão o sábado por toda
a eternidade.
Devemos rejeitar plena e completamente essa interpretação em
razão dos seguintes argumento.
Primeiro
Argumento: O Texto Fala Da Continuidade Da Adoração!
O
profeta Isaías não pretende ensinar que na Eternidade teremos:
·
uma reunião semanal;
·
uma reunião mensal.
O objetivo da linguagem seria apenas expressar continuidade
eterna. Podemos comparar com expressões modernas populares como: “Funciona de
domingo a domingo.” Ou, “Estarei lá de um mês ao outro.”
Essas
expressões não significam presença apenas nos domingos ou apenas no primeiro
dia do mês. Assim, “de sábado a sábado” seria apenas um hebraísmo significando:
adoração contínua. Portanto, podemos corretamente concluir que o foco do
texto não é o sábado. O foco é a adoração permanente.
Segundo Argumento: Se O Sábado Permanece, A Lua Nova Também
Deveria Permanecer!
O
texto menciona dois elementos:
·
lua nova;
·
sábado.
Se um permanece literalmente na Eternidade, o outro também
deveria permanecer. Isso implicaria restaurar:
·
o calendário lunar judaico;
·
as festas mensais.
Como
praticamente ninguém defende isso, devemos considerar incoerente usar apenas o
sábado.
Terceiro Argumento: A Eternidade Não Possui Semanas!
É
muito óbvio que o sábado semanal depende do tempo. Embora no Milênio isto será
possível, na Eternidade isso será impossível!
Isso
porque a eternidade transcende:
·
dias;
·
meses;
·
semanas;
·
relógios.
Logo, não faria sentido existir sábado cronológico na
eternidade. Segundo as Sagradas Escrituras, o verdadeiro descanso eterno é a
própria pessoa de Cristo. Assim, Cristo é o verdadeiro sábado dos remidos.
II – Êxodo 31:16–17: “Guardarão,
pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança
perpétua. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em
seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e
restaurou-se.”
Este é considerado pelos sabadólatras o argumento mais forte em
defesa do sábado semanal. A palavra principal manipulada por eles é: “perpétuo”.
Mas “perpétuo” não significa eterno.
O significado de “perpétuo”, do hebraico עוֹלָם
` (owlam), não significa
necessariamente “eterno, sem fim”. Seu significado dependeria do contexto. Em
muitos casos significaria: “durar enquanto durar determinada instituição.” Assim,
várias instituições chamadas “perpétuas” terminaram com Cristo.
Vejamos vários exemplos, uma lista muitos casos que eram
chamados perpétuos:
·
a Páscoa;
·
a Festa dos Pães Asmos;
·
Pentecostes;
·
o Dia da Expiação;
·
o sacerdócio Aarônico;
·
o ministério levítico;
·
os holocaustos;
·
o uso das trombetas;
·
o pão da proposição;
·
as lâmpadas do templo;
·
as ofertas sacrificiais.
Todos
eram chamados perpétuos. Nenhum continua vigente. O sábado pertence ao mesmo
grupo.
a.
O sábado era um sinal para Israel
O texto afirma: “Entre mim e os filhos de Israel.” Deus
enfatiza essa expressão, pois o sábado nunca foi apresentado como sinal
universal. Era um sinal exclusivo da aliança mosaica. Isso produz duas
consequências:
Primeira, trata de um sinal que é sempre particular a Israel. Se
fosse universal, deixaria de ser sinal. Segunda, como a aliança mosaica
terminou, o sinal também terminou.
b.
A palavra “gerações”
Outra observação importante. O texto afirma: “nas suas
gerações”. Isso limita a duração do sábado à história nacional de Israel. Não
seria, é muito óbvio, uma obrigação para toda a humanidade. Se compararmos com
outras instituições perpétuas, como por exemplo em II Crônicas 2, Salomão fala:
·
dos holocaustos;
·
do incenso;
·
dos pães da proposição;
·
dos sábados;
·
das luas novas.
Tudo isso aparece como: “obrigação perpétua de Israel.” No
entanto ninguém hoje oferece:
·
holocaustos;
·
incenso;
·
pão da proposição.
Logo,
não faria sentido manter apenas o sábado, como procuram obrigar a si e
aos outros os sabadólatras.
IMPORTANTE
DESTACAR: Os mandamentos morais nunca recebem o adjetivo “perpétuo”.
Não
existe passagem dizendo:
·
“não matarás” é perpétuo;
·
“não furtarás” é perpétuo;
·
“não adulterarás” é perpétuo.
Quem
recebe esse adjetivo, segundo sua pesquisa, são apenas:
·
ritos,
·
cerimônias,
·
estatutos litúrgicos.
Assim,
o próprio uso da palavra “perpétuo” indica a natureza cerimonial.
c. Comparação
com a circuncisão
Devemos
também observar que a circuncisão também foi chamada:
·
sinal;
·
concerto perpétuo.
São as mesmas expressões usadas para o sábado. Entretanto, o
Novo Testamento afirma que a circuncisão deixou de ser obrigatória.
O argumento lógico da exegese bíblica é: Se a circuncisão = sinal
(concerto perpétuo) e mesmo assim foi abolida, por que o sábado não poderia
ser?
d. Relação entre Abraão e Moisés
Outro raciocínio exegético muito claro: A circuncisão pertence
à aliança com Abraão. O sábado pertence ao pacto mosaico.
A aliança abraâmica é superior, porque aponta diretamente para
Cristo. Mesmo assim, a circuncisão física foi abolida.
Logo, o sábado, que pertence ao pacto mosaico, não teria
motivo para permanecer.
Podemos
antecipar uma objeção, respondendo ao argumento: “O sábado não fazia parte do
sistema sacrificial.”
Mas a resposta é: A circuncisão também não fazia! Mesmo assim,
caducou. Logo, não pertencer ao sistema expiatório não impede que uma
instituição seja abolida.
Conclusão
Segundo
a exegese bíblica e hermenêutica autentica e correta:
·
Isaías 66 não ensina a guarda eterna do sábado;
·
o texto fala da continuidade da adoração;
·
“de sábado a sábado” é uma expressão hebraica de permanência;
·
Êxodo 31 limita o sábado aos filhos de Israel;
·
“perpétuo” significa válido durante a vigência da antiga
aliança, não necessariamente eterno;
·
o sábado era um sinal da aliança mosaica;
·
quando essa aliança terminou em Cristo, o sinal também
terminou;
·
o sábado pertence ao conjunto das instituições cerimoniais
abolidas na Nova Aliança;
·
o verdadeiro descanso definitivo é encontrado em Cristo, que
cumpre tipologicamente aquilo que o sábado representava.
A
intepretação correta pode ser resumida em cinco etapas:
·
O sábado era um sinal da aliança mosaica, e não um mandamento
moral universal.
·
A palavra “perpétuo” (owlam) designa permanência durante a
vigência de uma determinada economia ou aliança, não necessariamente eternidade
absoluta.
·
Outras instituições chamadas de “perpétuas” (sacerdócio
levítico, festas, holocaustos, circuncisão etc.) cessaram com a Nova Aliança.
·
Isaías 66:23 descreve o a continuidade da adoração no estado
eterno, e não a observância literal do sábado semanal na eternidade.
·
Portanto, a guarda do sábado semanal não permanece como
obrigação para a Igreja, pois, segundo o autor, seu significado encontra
cumprimento em Cristo, o verdadeiro repouso.
De maneira que a lei nos serviu de aio,
para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois
que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus
pela fé em Cristo Jesus. – Gálatas 3:24 a 25
Fonte:
REIS, A. Pereira dos, A GUARDA DO SÁBADO.
Páginas 43 a 49. Citações Bíblicas são da versão Almeida Corrigida e
Fiel ao Texto Original, publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do
Brasil. Dica amorosa: Deseja um excelente comentário bíblico? Faça sua leitura
bíblica usando a ACF e um bom dicionário da língua portuguesa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário