O Pecado da Tradução Por Equivalência Funcional

 

O PECADO DA TRADUÇÃO POR

EQUIVALÊNCIA FUNCIONAL



Contudo o meu povo se tem esquecido de mim, queimando incenso à vaidade, que os fez tropeçar nos seus caminhos, e nas veredas antigas, para que andassem por veredas afastadas, não aplainadas; - Jeremias 18:15 (ACF)

 

Vivemos em tempos de perigos escorregadios, que apetecem a alma dos desavisados e crédulos, mesmo os que se afirmam cristãos convertidos. Um desses perigos envolve a confusão entre tradução e interpretação. Uma tradução fiel traduz palavra-por-palavra e não palavra-por-possíveis-palavras ou palavra-por-conceitos.

 

Uma dos entendimentos mais fundamentais do entendimento sobre tradução é a de que a interpretação pertence ao campo da pregação (hermenêutica e exegese) e não à tradução. (Neemias 8:8)

 

Autores e tradutores que tentam forjar uma linguagem própria, mirabolante e inovadora, caem nas mesma armadilha da Tradução Por Equivalência Funcional mesmo pretendo usar os Textos Massorético/Recebido onde, entre outros erros, pretendem eliminar quaisquer outras possíveis interpretações senão a sua própria. Essa armadilha faz com que se tenha a tendência de pensar que se trata de uma tarefa nobre e elevada, porém trata-se de um pecado perante DEUS, o Autor das Sagradas Escrituras!

 

Em seu livro  Word-For-Word Translating of The Received Texts, Verbal Plenary Translating (Tradução Palavra Por Palavra Dos Textos Recebidos, Tradução Verbal Plenária) o Dr. H. D. Williams brilhantemente expõe o pecado dos tradutores funcionais, que pretendem que suas interpretações pessoais se sobreponham à fidelidade da tradução:

 


Dr. H. D. Williams, M.D. Ph.D., é autor de várias obras sobre tradução por Equivalência Formal.

 

  

 

As Escrituras estão repletas de respostas para a pergunta: “O que deve guiar os tradutores?”. Mas a maioria dos tradutores modernos não trilha os “caminhos antigos”. Em vez disso, trilham “caminhos não trilhados” (Jeremias 18:15)[1], o que significa que usam métodos não exaltados pelas Escrituras. Afirmam que ‘o aumento do conhecimento sobre semântica e estrutura da linguagem lhes confere ampla liberdade para aplicar a interpretação das Escrituras à tradução da mensagem bíblica, e não das palavras’. [2]

As teorias modernas de tradução contornam o caminho traçado pelas Escrituras por três razões principais, reveladas nos escritos da maioria dos tradutores modernos.

 

(1) Primeiro, utilizam textos originais incorretos. O uso dos textos gregos da UBS/NA é indesculpável, visto que o Dr. Jack Moorman demonstrou haver 8.000 palavras de diferença entre o texto da UBS/NA e o Textus Receptus.[3] Além disso, o Dr. D. A. Waite e o Dr. Moorman demonstraram que muitas passagens doutrinárias são afetadas pelas mudanças.[4] Ignorar esses fatos é ignorar ou desprezar as Palavras do Senhor sobre Seu texto e doutrinas (Mt 4:4, 24:35, 2 Tm 2:15).

 

(2) Segundo, seu objetivo de tradução é uma Bíblia completamente compreensível por toda a população de um determinado grupo linguístico. Sua motivação demonstra compaixão em apoio a um povo que não tem conhecimento de Deus ou da Bíblia, mas trata-se de uma tradução baseada em emoções. O propósito deles é admirável, mas é idealista e não bíblico. Fica aquém da Verdade. É a tradução dirigida pelo homem e baseada na emoção que prenuncia o erro, assim como o movimento carismático, também baseado na emoção, é o precursor da autogratificação, da pregação da saúde e da riqueza e da perversão da Verdade.

 

(3) A terceira razão significativa pela qual as teorias modernas de tradução falham é o seu desejo de eliminar qualquer ambiguidade das traduções das línguas-fonte bíblicas originais, que são o hebraico, o aramaico e o grego, para as línguas receptoras. Nida admite que:

 

‘Mesmo com a leitura mais cuidadosa da Bíblia, existem muitas passagens obscuras e ambíguas. Só os Evangelhos contêm mais de setecentas leituras ambíguas, nas quais o grego pode ser traduzido de duas maneiras diferentes... O tradutor deve ter algum treinamento em tais problemas de exegese e deve tomar suas decisões com base nas informações mais adequadas e na melhor autoridade.’[5]

 

Em outras palavras, ele concorda com a maioria dos tradutores modernos que a ambiguidade deve ser removida, mesmo que esteja presente nas Palavras originais inspiradas e preservadas. Esse tipo de tradução enfatiza a “reação do leitor”, o que significa que qualquer incerteza possível é removida na tradução, de modo que a necessidade de estudar as Palavras de Deus seja eliminada.

 

De acordo com a TRADUÇÃO POR EQUIVALÊNCIA FUNCIONAL, qualquer interpretação possível deve ser removida da tradução de qualquer passagem das Escrituras, exceto uma interpretação possível determinada pelo tradutor, para que o receptor compreenda um e somente um pensamento para a passagem.[6]

 

Esse objetivo certamente está errado, embora seja um objetivo admirável para uma população biblicamente analfabeta, mas é repleto de perigos. As interpretações humanas das Escrituras são influenciadas pelo pecado, pela falta de inteligência, por deficiências linguísticas e por uma compreensão deficiente das Escrituras. Qualquer tentativa de explicar completamente “as profundezas de Deus” em uma tradução é como mexer em um oceano insondavelmente profundo.

 

A concepção humana de que uma única interpretação representa a totalidade de todas as interpretações possíveis é como retirar uma gota d'água do oceano. Certamente existe uma interpretação ideal, mas será ela a única? Uma interpretação pode ter seu lugar em um comentário que busca explicar as profundezas da Palavra de Deus, mas não em uma tradução.[7] O expositor busca um significado ou “sentido” específico de uma passagem, enquanto o tradutor simplesmente traduz as palavras presentes nos textos recebidos.

 

Além disso, as Palavras inspiradas de Deus são repletas de ambiguidade, e removê-las seria abandonar Suas palavras e substituí-las pelo raciocínio humano. Ademais, faz sentido que a ambiguidade divinamente determinada nas Escrituras seja válida para todas as gerações e culturas. As culturas mudam com o tempo, e interpretações das Palavras de Deus adaptadas culturalmente certamente interfeririam em sua eternidade.

 

Considere o Japão desde a Segunda Guerra Mundial! Uma Bíblia traduzida e ensinada com precisão no Japão não precisaria ser alterada de geração em geração conforme a cultura mudava. O homem e sua cultura devem mudar pelas Palavras de Deus, e não o contrário. Antigamente, os imperadores romanos e japoneses eram adorados como deuses. Se as passagens traduzidas das Escrituras tivessem sido alteradas para adaptá-las a essas culturas a fim de não ofender, elas seriam inúteis hoje. As Palavras de Deus são atemporais, e somente traduções precisas e fiéis preservarão essa atemporalidade.” (Williams, H.D. Word-For-Word Translating of The Received Texts, Verbal Plenary Translating, páginas 14 a 16.)

 

 

Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca. Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva. Porque apregoarei o nome do SENHOR; engrandecei a nosso Deus. Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é. – Deuteronômio 32:1-4 (ACF)

 

 

 Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém. – II Pedro 3:16-18 (ACF)

 

 

 

 

 

 

Fonte: H. D. Williams, M.D., Ph.D. Word-For-Word Translating of The Received Texts, Verbal Plenary Translating (Tradução Palavra Por Palavra Dos Textos Recebidos, Tradução Verbal Plenária). The Bible For Today Press, 2008. New Jersey, USA. Tradução e adaptação em setembro de 2026. Revisão 00.



[1] Nota do Tradutor: A expressão foi corretamente traduzida na KJB 1611 por “a way not cast up”, “um caminho ainda não trilhado”. Tradutores infiéis desejam deixar suas próprias marcas pessoais por meio de novas formas de traduções, algo que não corresponde à antiga fidelidade dos tradutores que mantiveram seu compromisso com a Verdade.

[2] Nota do Autor: Eugene Nida, Charles R. Taber, A Teoria e a Prática da Tradução (Brill NV, Leiden, Holanda, 4ª reimpressão , 1ª edição publicada pelas Sociedades Bíblicas Unidas em 1969, 1982) p. 1, (As 'teorias' são discutidas nas páginas 1-173).

[3] NA: Dr. Jack Moorman, 8.000 Diferenças entre o Textus Receptus e os Textos Gregos do NT de Nestle-Aland (Bible For Today Press, Collingswood, NJ, 2006), 1-517.

[4] NA: Dr. DA Waite, Th.D., Ph.D., Defendendo a Bíblia King James (Bible For Today Press, Collingswood, NJ) 136-185. O Dr. DA Waite demonstrou 158 passagens doutrinárias em seu livro. O Dr. Moorman demonstrou 356 passagens doutrinárias violadas nas novas versões, precipitadas pelo uso de textos corrompidos, em seu livro, Trezentos e Cinquenta e Seis Erros Doutrinários na NIV e em Outras Versões Modernas da Bíblia (Bible For Today Press, Collingswood, NJ). 

[5] NA: Eugene A. Nida, op. cit., 57 (Tradução da Bíblia).

[6] NA: Richard C. Blight, Translating Problems From A to Z (Summer Institute of Linguistics, Inc., Dallas, TX) 11. Veja também, Leland Ryken, The Word of God in English, Criteria for Excellence in Bible Translation (Crossway Books, Wheaton, IL, 2002) 14. 

[7] NT: Usar uma Bíblia com notas pessoais de um estudioso das Sagradas Escrituras que fez anotações particulares a respeito de textos que tenha estudado, como por exemplo o Dr. Henry Morris em suas anotações usando a King James Bible 1611, não é a mesma coisa que inserir suas notas pessoais no meio do texto bíblico que se pretende apresentar como tradução, alterando sentidos em prol de sua própria intepretação pessoal afim de torná-la única.

 



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