O PECADO DA TRADUÇÃO POR
EQUIVALÊNCIA FUNCIONAL
Vivemos em tempos de perigos
escorregadios, que apetecem a alma dos desavisados e crédulos, mesmo os que se
afirmam cristãos convertidos. Um desses perigos envolve a confusão entre
tradução e interpretação. Uma tradução fiel traduz palavra-por-palavra
e não palavra-por-possíveis-palavras ou palavra-por-conceitos.
Uma dos entendimentos mais
fundamentais do entendimento sobre tradução é a de que a interpretação pertence
ao campo da pregação (hermenêutica e exegese) e não à tradução. (Neemias 8:8)
Autores e tradutores que tentam forjar
uma linguagem própria, mirabolante e inovadora, caem nas mesma armadilha da
Tradução Por Equivalência Funcional mesmo pretendo usar os Textos
Massorético/Recebido onde, entre outros erros, pretendem eliminar quaisquer
outras possíveis interpretações senão a sua própria. Essa armadilha faz com que
se tenha a tendência de pensar que se trata de uma tarefa nobre e elevada,
porém trata-se de um pecado perante DEUS, o Autor das Sagradas Escrituras!
Em seu livro Word-For-Word Translating of The Received Texts,
Verbal Plenary Translating (Tradução Palavra Por Palavra Dos Textos Recebidos,
Tradução Verbal Plenária) o Dr. H. D. Williams brilhantemente expõe o pecado
dos tradutores funcionais, que pretendem que suas interpretações pessoais se
sobreponham à fidelidade da tradução:
Dr. H. D. Williams, M.D. Ph.D., é autor de várias obras sobre tradução por Equivalência Formal.
As Escrituras estão repletas de
respostas para a pergunta: “O que deve guiar os tradutores?”. Mas a maioria dos
tradutores modernos não trilha os “caminhos antigos”. Em vez disso,
trilham “caminhos não trilhados” (Jeremias 18:15)[1],
o que significa que usam métodos não exaltados pelas Escrituras. Afirmam que ‘o
aumento do conhecimento sobre semântica e estrutura da linguagem lhes
confere ampla liberdade para aplicar a interpretação das Escrituras à tradução
da mensagem bíblica, e não das palavras’. [2]
As teorias modernas de tradução
contornam o caminho traçado pelas Escrituras por três razões principais,
reveladas nos escritos da maioria dos tradutores modernos.
(1) Primeiro, utilizam textos
originais incorretos. O uso dos textos gregos da UBS/NA é indesculpável, visto
que o Dr. Jack Moorman demonstrou haver 8.000 palavras de diferença entre o
texto da UBS/NA e o Textus Receptus.[3]
Além disso, o Dr. D. A. Waite e o Dr. Moorman demonstraram que muitas passagens
doutrinárias são afetadas pelas mudanças.[4]
Ignorar esses fatos é ignorar ou desprezar as Palavras do Senhor sobre Seu
texto e doutrinas (Mt 4:4, 24:35, 2 Tm 2:15).
(2) Segundo, seu objetivo de
tradução é uma Bíblia completamente compreensível por toda a população de um
determinado grupo linguístico. Sua motivação demonstra compaixão em apoio a
um povo que não tem conhecimento de Deus ou da Bíblia, mas trata-se de uma
tradução baseada em emoções. O propósito deles é admirável, mas é
idealista e não bíblico. Fica aquém da Verdade. É a tradução dirigida pelo
homem e baseada na emoção que prenuncia o erro, assim como o movimento
carismático, também baseado na emoção, é o precursor da autogratificação, da
pregação da saúde e da riqueza e da perversão da Verdade.
(3) A terceira razão significativa
pela qual as teorias modernas de tradução falham é o seu desejo de eliminar
qualquer ambiguidade das traduções das línguas-fonte bíblicas originais,
que são o hebraico, o aramaico e o grego, para as línguas receptoras. Nida
admite que:
‘Mesmo com a leitura mais cuidadosa da
Bíblia, existem muitas passagens obscuras e ambíguas. Só os Evangelhos contêm
mais de setecentas leituras ambíguas, nas quais o grego pode ser traduzido de
duas maneiras diferentes... O tradutor deve ter algum treinamento em tais
problemas de exegese e deve tomar suas decisões com base nas informações mais
adequadas e na melhor autoridade.’[5]
Em outras palavras, ele concorda com a
maioria dos tradutores modernos que a ambiguidade deve ser removida, mesmo que
esteja presente nas Palavras originais inspiradas e preservadas. Esse tipo de
tradução enfatiza a “reação do leitor”, o que significa que qualquer incerteza
possível é removida na tradução, de modo que a necessidade de estudar as
Palavras de Deus seja eliminada.
De acordo com a TRADUÇÃO POR EQUIVALÊNCIA FUNCIONAL,
qualquer interpretação possível deve ser removida da tradução de qualquer
passagem das Escrituras, exceto uma interpretação possível determinada pelo
tradutor, para que o receptor compreenda um e somente um pensamento para a
passagem.[6]
Esse objetivo certamente está errado,
embora seja um objetivo admirável para uma população biblicamente analfabeta,
mas é repleto de perigos. As interpretações humanas das Escrituras são
influenciadas pelo pecado, pela falta de inteligência, por deficiências
linguísticas e por uma compreensão deficiente das Escrituras. Qualquer
tentativa de explicar completamente “as profundezas de Deus” em uma
tradução é como mexer em um oceano insondavelmente profundo.
A concepção humana de que uma única
interpretação representa a totalidade de todas as interpretações possíveis é
como retirar uma gota d'água do oceano. Certamente existe uma interpretação
ideal, mas será ela a única? Uma interpretação pode ter seu lugar em um
comentário que busca explicar as profundezas da Palavra de Deus, mas não em uma
tradução.[7]
O expositor busca um significado ou “sentido” específico de uma passagem,
enquanto o tradutor simplesmente traduz as palavras presentes nos textos
recebidos.
Além disso, as Palavras inspiradas
de Deus são repletas de ambiguidade, e removê-las seria abandonar Suas palavras
e substituí-las pelo raciocínio humano. Ademais, faz sentido que a
ambiguidade divinamente determinada nas Escrituras seja válida para todas as
gerações e culturas. As culturas mudam com o tempo, e interpretações das
Palavras de Deus adaptadas culturalmente certamente interfeririam em sua eternidade.
Considere o Japão desde a Segunda
Guerra Mundial! Uma Bíblia traduzida e ensinada com precisão no Japão não
precisaria ser alterada de geração em geração conforme a cultura mudava. O
homem e sua cultura devem mudar pelas Palavras de Deus, e não o contrário.
Antigamente, os imperadores romanos e japoneses eram adorados como deuses. Se
as passagens traduzidas das Escrituras tivessem sido alteradas para adaptá-las
a essas culturas a fim de não ofender, elas seriam inúteis hoje. As Palavras
de Deus são atemporais, e somente traduções precisas e fiéis preservarão essa
atemporalidade.” (Williams, H.D. Word-For-Word Translating
of The Received Texts, Verbal Plenary Translating, páginas 14 a 16.)
Inclinai os ouvidos, ó céus, e
falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca. Goteje a minha doutrina como
a chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e
como gotas de água sobre a relva. Porque apregoarei o nome do SENHOR;
engrandecei a nosso Deus. Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os
seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e
reto é. – Deuteronômio 32:1-4 (ACF)
Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais
há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e
igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. Vós, portanto,
amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens
abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; Antes
crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele
seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém. – II Pedro
3:16-18 (ACF)
Fonte: H. D. Williams, M.D., Ph.D. Word-For-Word
Translating of The Received Texts, Verbal Plenary Translating (Tradução
Palavra Por Palavra Dos Textos Recebidos, Tradução Verbal Plenária). The Bible
For Today Press, 2008. New Jersey, USA. Tradução e adaptação em setembro de
2026. Revisão 00.
[1] Nota do Tradutor: A expressão foi corretamente traduzida na KJB 1611 por “a way not cast
up”, “um caminho ainda não trilhado”. Tradutores infiéis desejam deixar suas
próprias marcas pessoais por meio de novas formas de traduções, algo que não
corresponde à antiga fidelidade dos tradutores que mantiveram seu compromisso
com a Verdade.
[2] Nota do Autor: Eugene Nida, Charles R. Taber, A Teoria
e a Prática da Tradução (Brill NV, Leiden, Holanda, 4ª reimpressão , 1ª
edição publicada pelas Sociedades Bíblicas Unidas em 1969, 1982) p. 1, (As
'teorias' são discutidas nas páginas 1-173).
[3] NA: Dr. Jack Moorman, 8.000 Diferenças
entre o Textus Receptus e os Textos Gregos do NT de Nestle-Aland (Bible For
Today Press, Collingswood, NJ, 2006), 1-517.
[4] NA: Dr. DA Waite, Th.D., Ph.D., Defendendo a Bíblia King James (Bible For Today Press, Collingswood, NJ) 136-185. O Dr. DA Waite demonstrou 158 passagens doutrinárias em seu livro. O Dr. Moorman demonstrou 356 passagens doutrinárias violadas nas novas versões, precipitadas pelo uso de textos corrompidos, em seu livro, Trezentos e Cinquenta e Seis Erros Doutrinários na NIV e em Outras Versões Modernas da Bíblia (Bible For Today Press, Collingswood, NJ).
[5] NA: Eugene A. Nida, op. cit., 57 (Tradução da Bíblia).
[6] NA: Richard C. Blight, Translating Problems From A to Z (Summer Institute of Linguistics, Inc., Dallas, TX) 11. Veja também, Leland Ryken, The Word of God in English, Criteria for Excellence in Bible Translation (Crossway Books, Wheaton, IL, 2002) 14.
[7] NT: Usar uma Bíblia com notas pessoais de
um estudioso das Sagradas Escrituras que fez anotações particulares a respeito
de textos que tenha estudado, como por exemplo o Dr. Henry Morris em suas
anotações usando a King James Bible 1611, não é a mesma coisa que inserir suas
notas pessoais no meio do texto bíblico que se pretende apresentar como
tradução, alterando sentidos em prol de sua própria intepretação pessoal afim
de torná-la única.
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